Aumentar o ticket médio é um desafio? Aprenda a usar kits sem bagunçar estoque, expedição e faturamento

Aumentar o ticket médio sem depender de mais tráfego é uma das alavancas mais “baratas” de crescimento no e-commerce. O problema é que, quando a loja tenta vender combos no improviso (principalmente via “compre junto” manual, duplicando itens ou criando produto “genérico”), a operação paga a conta: estoque desencaixado, a expedição confunde e a nota fiscal sai errada.

A boa notícia: existe um jeito certo de vender combos — produto kit.

O que é um produto kit (na prática)

Um produto kit é um “produto único” para o cliente (ele vê 1 item no carrinho), mas que internamente é desmembrado em múltiplos itens para:

  • estoque (baixa de cada item/variação)
  • expedição (separação correta)
  • RP/integrações (cada item do kit aparece do jeito certo)
  • fiscal (preço distribuído por item para emissão de NF)

Pensa assim: pro cliente é “Combo Verão”, mas por trás são “Top + Calcinha” (ou 5 unidades de um item), cada um com sua lógica de estoque e fiscal.

Por que kits aumentam ticket médio (sem “forçar” desconto)

Kits funcionam porque melhoram 3 pontos ao mesmo tempo:

  1. Eleva o valor percebido (“pacote completo”, “combo pronto”, “leve tudo que precisa”)
  2. Reduz atrito de decisão (menos cliques, menos escolha, mais compra por impulso planejado)
  3. Aumenta itens por pedido (a métrica que mais puxa ticket médio sem depender de preço)

E dá pra fazer isso com desconto, brinde, frete diferenciado ou simplesmente conveniência.

O ponto crítico: divisão proporcional do preço (e por que isso salva sua nota fiscal)

Aqui é onde muita loja quebra.

Em um kit, o cliente paga um preço total (“R$199,00 no combo”), mas a nota fiscal precisa refletir itens reais, com valores coerentes por item. Por isso, o kit exige divisão proporcional do preço entre os produtos-filhos.

Exemplo simples:

  • Kit “Look completo” = R$ 200
    • Camisa = 80% (R$ 160)
    • Meia = 20% (R$ 40)

Isso evita distorções (ex.: um item “absorve” 100% do valor) e mantém o fiscal e integrações consistentes. Regra de ouro: a soma das porcentagens do kit precisa fechar 100%.

aumentar o ticket médio

Como montar um kit do jeito certo (passo a passo)

1) Comece pela estratégia: qual é o objetivo do kit?

Escolha 1 objetivo principal para não criar kit “Frankenstein”:

  • Aumentar ticket médio: combos complementares (produto + acessório)
  • Aumentar conversão: kit “pronto para usar” (menos decisão)
  • Aumentar giro: kit com item líder + item de cauda
  • Criar produto sob medida: kit com produto base + “serviço” (ex.: corte, personalização)

2) Defina os produtos-filhos e as quantidades

O kit é formado por “produtos-filhos”, cada um com quantidade.

Ex.: “Kit 5 unidades” pode representar 5 itens internamente (desde que a plataforma permita a modelagem correta para itens repetidos/variações — se não permitir o mesmo produto várias vezes, uma alternativa é estruturar SKUs/filhos distintos para viabilizar o combo).

3) Configure a divisão proporcional do preço

Distribua o valor total do kit entre os filhos com percentuais coerentes.

Dicas práticas:

  • o item de maior valor/margem costuma levar maior percentual
  • se existe item “serviço”, combine uma proporção que faça sentido fiscalmente
  • revise se a distribuição não cria valores “estranhos” (muito baixo ou alto) por item

4) Valide as regras de disponibilidade e estoque

Um kit só vende bem se não vira “indisponível” à toa.

Boas práticas (baseadas na lógica de kits):

  • todos os produtos-filhos precisam estar ativos
  • o kit usa o estoque dos filhos
  • um kit fica realmente indisponível quando um filho zera em todas as variações relevantes (se só uma variação específica falta, o kit pode continuar disponível conforme regras da plataforma)

5) Garanta expedição sem erro: desmembramento + separação

O cliente compra 1 kit, mas a operação precisa separar N itens.

Checklist operacional:

  • pedido deve “virar” itens separados internamente
  • equipe de picking precisa enxergar claramente os itens e quantidades
  • embalagem e conferência devem considerar o kit como “lista de itens”

6) Peso e dimensões: use cálculo automático quando fizer sentido

Se você deixar peso/dimensões do kit em branco (quando a plataforma suporta isso), ela pode calcular a partir da soma dos produtos-filhos (considerando quantidades).

Isso reduz:

  • erro de frete
  • divergência com transportadora
  • retrabalho na expedição

Regras que mais causam dor (e como evitar)

Dor 1: “Meu kit não aparece disponível”

Causas comuns:

  • produto-filho inativo
  • produto-filho sem estoque em todas as variações necessárias
  • variação incompatível na composição do kit

Como evitar:

  • antes de publicar, valide ativo + estoque + variações de cada filho
  • teste compra com variações mais vendidas

Dor 2: “Deu problema na nota fiscal”

Causas comuns:

  • divisão de preço incoerente
  • item “absorvendo” valor indevido
  • estrutura do kit não condiz com itens fiscalmente emitidos

Como evitar:

  • defina proporções com lógica de preço real
  • confira o que o RP/ERP recebe (itens + valores) antes de escalar

Dor 3: “A expedição separou errado”

Causas comuns:

  • kit não desmembra corretamente
  • equipe não tem visibilidade dos filhos e quantidades
  • ausência de conferência

Como evitar:

  • crie um processo padrão: “pedido com kit = conferência dupla”
  • use observações/etiquetas internas quando disponível

Exemplos de kits que tendem a funcionar bem

  1. Kit de reposição: “3 unidades com desconto leve” (alta previsibilidade)
  2. Kit complementar: “produto principal + acessório indispensável”
  3. Kit de rotina: “comece por aqui” (reduz dúvida do cliente)
  4. Kit sazonal: “verão/inverno” (aumenta urgência)
  5. Kit sob medida (criativo): produto base + serviço (ex.: rolo de tapete + corte) para a operação tratar metragem/serviço corretamente

Checklist rápido antes de publicar seu kit

  • Todos os produtos-filhos estão ativos
  • Estoque ok nas variações necessárias
  • Quantidades do kit conferidas
  • Divisão proporcional de preço fecha 100%
  • Pedido desmembra corretamente internamente
  • RP/ERP recebe itens e valores corretamente
  • Peso/dimensões coerentes (manual ou automático)
  • Teste de compra + teste de separação feitos

Kit é alavanca de receita quando a operação está amarrada

Produto kit não é “só um combo”: é uma estrutura que junta crescimento (ticket médio) com controle (estoque, expedição e fiscal). Quando você monta do jeito certo, você vende mais por pedido sem virar refém do retrabalho.

Quer aumentar o ticket médio sem bagunçar estoque, expedição e nota fiscal? Conheça a Uoou e veja como estruturar kits do jeito certo.

Érika Alves
Érika Alves

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